29 de maio – Dia de São Pedro e São Paulo

Formação | 27 de junho de 2009

Às vésperas da Solenidade de São Pedro e São Paulo, trazemos aos nossos leitores um pequeno trecho do capítulo 21, do livro “Simão Pedro Rochedo Bíblico”, de Dominique Ridolfi:

Ícone - São Pedro e São PauloNa minha opinião, convém contar sempre doze apóstolos e não treze, segundo certos cálculos, a fim de salvaguardar o simbolismo do número, querido pela Bília e ratificada por Cristo. Depois da traição e do suicídio de Judas, os Apóstolos não são mais que onze. Pedro, por si próprio, toma a responsabilidade de o substituir e de proceder à eleição, tirando à sorte, não só dum simples bispo, mas dum verdadeiro apóstolo, com todas as prerrogativas então ligadas a esta alta função. Este foi Matias (Atos 1, 15-26).

O Colégio apostólico está de novo completo, e S. Lucas pode escrever: “Pedro, de pé com os onze, ergueu a voz” (Atos 2, 14). O que Pedro não sabia, e que na sua humildade não queria considerar, é que, depois do Pentecostes, tornado verdadeiramente o Príncipe de seus irmãos, ele mesmo precisava de ser substituído por um outro, para completar os onze e deixar-lhe a faculdade de se consagrar unicamente à sua missão teolítica, ao exercício exclusivo do Primado, o que S. Lucas chama: “desceu também até junto dos santos” (Atos 9, 32). O Kyrios eterno pessoalmente vai intervir para encher este vazio e ajuntar aos onze o duodécimo apóstolo, Saulo de Tarso, do qual o capítulo nove dos Atos nos conta a conversão miraculosa no caminho de Damasco. “Esse homem é instrumento de minha escolha para levar o meu nome perante os pagãos, os reis e os filhos de Israel. É que Eu hei-de mostrar-lhe quanto ele tem de sofrer pelo nome!” (Atos 9, 15-16).

Assim, o Vigário de Cristo, Cefas, está rodeado pelo Doze apóstolos, realizando dessa maneira o “Plenum” primitivo dos Padres Cardeais da jovem Igreja. A eleição de Paulo por Cristo, a sua confirmação pelas “autoridades” da Igreja, a sua missão de suplente a respeito de Pedro, vai criar entre os dois homens, apesar da oposição dos caracteres que se manifesta no incidente de Antioquia, uma espécie de igualdade apostólica, uma fraternidade que nunca se desmentirá, uma comunhão excepcional nos trabalhos, nos sofrimentos e na morte de Jesus Cristo, uma comunidade de destino fora de série. “Aquele que resistiu de frente a Cefas, porque merecia censura” (Gálatas 2, 11) no seu ímpeto de recém-convertido, desconhecendo as servidões do Primado, considerado por ele como “a autoridade reconhecida” e “a coluna” da Igreja, com Tiago e João. Por seu lado, Pedro admirará sempre a ciência e o ardor apostólico de Paulo, que ele designa oficialmente como “seu caríssimo irmão Paulo” (II Pedro 3, 15). Assim como, segundo a lenda pagã, Roma foi fundada pelos gêmeos Rômulo e Remo, no ano 753 antes de Jesus Cristo, e se construiu no sangue de Remo morto por Rômulo, assim também a Roma cristã terá como fundamentos inabaláveis os dois apóstolos gêmeos, Pedro e Paulo, tornados inseparados pelo martírio, pelos anos 64 ou 67 depois de Jesus Cristo. O que fazia escrever, no século XII ao Bispo de Hierópolis, Abércio, estas linhas misteriosas, conservadas no museu de Latrão:

Jesus, o Pastor dos pastores, enviou-me a Roma para contemplar a majestade soberana e ver uma rainha ornada e calçada de ouro. Vi um povo que leva um sele esplêndido”. Trata-se do outro puro da caridade, manifestado no selo esplêndido do martírio dos dois corifeus da Igreja-Rainha que alcançaram para sempre a cidadania tão desejada e a púrpura romana.

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Ridolfi, Dominique. Simão Pedro Rochedo Bíblico. Lisboa: Edições Paulistas, 1967

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